Hair

Musical: Hair

18/01/2012 postado em Música, Teatro

Estreou na semana passada o musical ‘Hair’ no Teatro Frei Caneca, sob a direção de Charles Möeller e Claudio Botelho. Depois de 40 anos de sua estréia na Broadway, a peça brasileira se reinventa nas mãos da bem sucedida dupla.

Muitos podem considerar o musical datado, afinal qual a relevância de montar uma trama que se passa em 1968 e tem como pano de fundo a revolução sexual e a guerra do Vietnã? Para alguns é o filme no qual descobrimos que o Dr. Andy Brown era hippie antes de ir para ‘Everwood’. Por mais distante que pareça, a história carrega similaridades com os dias de hoje, despindo-se das bocas de sino e das batas o diálogo que ela procura estabelecer com a platéia é atemporal.

Möeller e Botelho têm a habilidade de trabalhar com as músicas afastando-se muitas vezes da tradução literal e optando por seguir a sonoridade; como foi o caso da bela montagem de ‘O Despertar da Primavera’. Claro que clássicos como “Age of Aquarius” e “Let the Sunshine” soam errados em qualquer língua que não o inglês, mas o cuidado dado a ambas as letras ameniza o impacto sobre o espectador.

A peça é bem humorada, gera reflexão sem se levar muito a sério. Existem momentos de interação com a platéia que me pareceram excessivos, uma espécie de banalização da quebra da quarta parede, mas nada que estrague o produto final.

A semelhança física de Carol Puntel com Beverly D’Angelo, que interpreta Sheila no filme de Milos Forman, é estarrecedora. Fernando Rocha (Berger) conquista a platéia no primeiro sorriso e Hugo Bonemer (Claude) compensa uma voz não tão impactante quanto a dos colegas de elenco, com uma aula de expressão corporal. Destaque para Kiara Sasso (Jeanie), a dama dos musicais brasileiros que, apesar de não fazer a mocinha, ficou encarregada de um dos papéis mais encantadores e é responsável pela maioria dos momentos cômicos. Os coadjuvantes e protagonistas estão na mesma escala de importância, como o próprio grupo que interpretam.

Em tempos de movimentos como “Occupy Wall Street” e Guerra do Iraque, o drama de Claude e seus amigos não parece tão distante do nosso dia a dia. Quando nus em pelo, a única coisa que nos diferencia é o cabelo.

 

Por Mariana Serapicos

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